A ISO 14001-2015 e a Visão do Ciclo de Vida do Produto

A norma ISO 14001-2015 em seu requisito 8.1 – Planejamento e controle operacionais, em um de seus parágrafos determina que a organização, “coerentemente com uma perspectiva de ciclo de vida, deve…”

Apesar de ser apenas um parágrafo, o conceito nele existente é de extrema importância.

Até a versão passada, as empresas certificadas pela ISO 14001 precisavam  apenas se preocupar com seus processos internos; de uma forma bastante resumida, uma empresa que atendia a legislação ambiental, fazia um estudo dos aspectos e impactos de suas operações no meio ambiente e estabelecia um sistema que de alguma forma pudesse garantir o gerenciamento e, se possível a minimização destes impactos cumpria a quase totalidade dos requisitos da norma; Cheguei no passado a escrever um artigo comentando que muitas vezes o impacto do uso e descarte de um produto pode ser muito maior que a sua fabricação.

A versão atual, está muito bem alinhada com a mudança de paradigma que vem se observando nos últimos anos para se atingir a sustentabilidade, ou seja, o conceito de prevenção à poluição e produção limpa precisam incorporar todo o ciclo de vida do produto.

Como então entender o ciclo de vida de um produto? O ciclo de vida de um produto é formado por todas as fases necessárias para sua “existência” até sua disposição final, quando não atende mais as necessidades para as quais foi produzido, ou seja, desde a extração de matérias-primas, projeto e produção, embalagem e distribuição, utilização, reuso e reciclagem e eventual destruição. Ao avaliar o ciclo do produto é preciso considerar todos os aspectos e impactos existentes em cada etapa e, procurar, ainda na fase de projeto, minimizar tais impactos através de uma visão mais ampla dos mesmos. A idéia de reduzir os impactos apenas durante a produção, intramuros, não é mais suficiente e isto é de extrema importância, pois muitas vezes, uma redução no impacto ambiental no processo produtivo pode gerar lá na frente um impacto muito maior no uso ou descarte do produto. A visão do ciclo de vida, portanto, evita que a responsabilidade ambiental seja transferida para outros elementos da cadeia de consumo.

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